Seinfeld

Eu não gosto de Seinfeld. Não vou tentar convencer ninguém do contrário ao que os primeiros hipsters da humanidade dizem sobre Seinfeld, apenas discordarei deles. Lembro que um dos meus ex-namorados costumava idolatrar Jerry Seinfeld. Ele acreditava no seu talento para escrever e que seus comentários eram tão bons quanto as piadas do seriado, “minimalistas e ácidos”. Naquela época, ele teve algum problema em administrar seu tempo entre elaborar estes comentários ao escrever resenhas de discos e viver como freelancer aos 30 anos, não alcançando sucesso em ambos.

Não vejo genialidade nas piadas de Jerry, na verdade, elas me só me fazem recordar de onde veio a maldita comédia stand up: da mediocridade. Os insights sobre o cotidiano na vida de jovens, solteiros, vivendo em Nova York são óbvios. Falar o seu próprio ponto de vista sobre o seu cotidiano é praticar a mediocridade. Minha vó faz a mesma coisa todo o dia! E faz melhor! O que diferencia Sienfeld da minha vó é que Jerry e seus “amigos” vivem e comentam os acontecimentos da maneira mais individualista e cruel e desinteressante possível. Os personagens estão sempre presos em situações onde necessitam deixar alguém ‘de lado’ para conseguir o que querem. Logo, temos o princípio da comédia stand-up: falar a um público ávido sobre sua vida, a partir do seu ponto de vista e tratar do problema de forma que te melhor apeteça.

Sempre que assisto ao seriado, sinto que utilizam da personagem Elaine para amenizar este problema. Não vejo simpatia alguma pela personagem feminina e a qual está, provavelmente, encoberta por sua frigidez. George é o anti-herói em Seinfeld, porque vive em uma batalha constante com a vida, não sabe resolver seus problemas, sente pena de si mesmo e, de forma desprezível, nunca comete suícidio reaparecendo em todos os episódios. Kramer é o personagem ‘outcast’ que não é respeitado por ninguém, no entanto é o que suaviza o egoísmo dos demais invadindo o espaço de Jerry na intenção de ajudar e socializar (ainda assim, não consegue ser engraçado). Jerry, episódio após episódio, combate a insolência de Kramer, a frigidez de Elaine e o negativismo de George para fazer sua vida ser menos ‘miserável’, pois sente-se cercado por idiotas o tempo todo. Nenhum deles consegue fluir de maneira agradável, afinal não há aparente motivo para estarem juntos naquelas situações.

Confesso que, talvez meus problemas com Seinfeld sejam agravados pelos comentários daqueles que gostam do seriado. Se até agora, você pensava que piadas do Seinfeld são tão geniais quanto as do Jô Soares, não se preocupe! Muito pouco pode ser feito para deixar de ser babaca e melhorar a qualidade do que tu andas assistindo: se antes você não havia pensado em algo óbvio (e engraçado) sobre uma experiencia nas filas de banco, utilize seu tempo esperando para averiguar as minúcias  dessa experiencia, talvez tu encontres piadas próprias e inéditas que  poderás contar na próxima reunião familiar. Você não precisa que Jerry Seinfeld externe o óbvio daquilo que é individual. E, se não funcionar, vá ler um livro.

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