I

Quando eu morrer, e quero me lembrar disso enquanto estiver morrendo, não quero deixar para trás um monte de extratos mensais de um banco popular que mostrarão minha importância de quatro dígitos…

Não quero deixar, também, qualquer tipo de legado cujo o protagonista fui eu, mas quem me conta são aqueles que sobraram no mundo: a minha esposa/esposo ou meus filhos, irmãos. Minha intenção é fazer com que meus netos saibam exatamente quem fui eu e como era, mesmo que seja uma pessoa muito odiosa.

O mais importante, porém, o que nunca não quero deixar para trás, é qualquer dúvida sobre o que sentia sobre estas mesmas pessoas. Se as amava, se me envergonhavam, se apenas as tolerava, se as desprezava, se odiava a maneira como falavam sobre mim ou se eles eram a coisa mais importante em minha vida.

O que não quero deixar são dúvidas sobre o que eu sou, ou que possam colocar palavras na boca de um defunto ou que plantem sentimentos em póstumas relações…

 

 

 

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