Por puro prazer à causa.

O texto do dia era do Leonardo Boff na aula de Produção Textual. Será que todos percebem como ele escreve um texto de uma lauda como se escrevesse um almanacão da Mônica? Tudo milimetrado, tudo tem um ‘por que’ e um ‘porquê’. Particularmente, acho isso chato, chato pra caramba.

Perde a graça do texto, pois não procuro um texto para obter mais perguntas. Bem, isso explica porque não costumo ler opinião. E Leonardo Boff, faz isso e demanda autoridade. Até onde meu conhecimento alcança, ele é formado teólogo, com cargos e prêmios e indicações internacionais que quase não lhe cabem, mas escreve textos sem argumentos, estruturado com perguntas e respostas.

E, pior que isso, faz citações que instigam a curiosidade dos alunos mais bem dotados de senso crítico. O que eu não sabia era a admiração que a Professora reservava por Boff. Bem, ela reserva admiração pelo Eistein também e não me espantaria encontrar no carro dela uma biografia Stephen Hawking jogada no banco traseiro.

Ela é uma daquelas pessoas que querem socializar com pessoas mais inteligentes, pois jamais estará contente com sua formação em letras. Como, por exemplo, como tratava bem a senhora desembargadora, or something,  que veio assistir aulas conosco. Diferentemente da maneira como tratava e sorria para ela, nos tratava como anões de jardim: totalmente ornamentais na sala de aula.

Ao Boff, ela reservava também a discrição quanto o conhecimento prévio do texto que ia apresentar na classe.

Há muito que filósofos da altura de Martin Heidegger, resgatando uma antiga tradição que remonta aos tempos de César Augusto, vêem no cuidado a essência do ser humano. Sem cuidado ele não vive nem sobrevive. Tudo precisa de cuidado para continuar existindo. Cuidado representa uma relação amorosa com a realidade. Onde rege o cuidado de uns para com os outros, desaparece o medo, origem secreta de toda violência. (A próxima parte também é importante)

A cultura de paz começa quando se cultiva a memória e o exemplo de figuras que representam o cuidado e a vivência da dimensão de generosidade que nos habita, como Gandhi, Mons. Hélder Câmara, Luther King e outros. Importa que façamos revoluções moleculares(Gatarri), começando por nós mesmos. Cada um estabelece como projeto pessoal e coletivo a paz como método e como meta, paz que resulta dos valores da cooperação, do cuidado, da compaixão e da amorosidade, vividos cotidianamente.

Pois bem, então este era “A cultura da Paz” em seus dois ultimos parágrafos. E esmiuçar o texto, eu entendo como esmiuçar o texto. Achei importante levantar o fato de citar Heidegger e César Augusto, contrapô-los com Gahndi ao final. Ora, é o que as pessoas fazem nessas aulas, mas a professora fez que não entendeu, e gostou menos ainda quando expliquei: Ora, tia, é porque Martin Heidegger era do partido nazi e o César Augusto matava era, de certa forma, conquistador. E eles estão no mesmo patamar que Gahndi nesse parágrafo.

Nesse momento a casa caiu, pro meu lado, fui desmentida, junto a wikipédia, sobre o passado do filósofo alemão perante toda uma sala cheia.

O que me incomoda não é acabar desmentida por uma verdade, é ela ter ignorado a minha questão central. Um parágrafo que se opõe, poxa é um parágrafo no fim de um texto que, pra um leitor aguçado que percebe esses mimos, é como recomeçar um novo texto, sob uma ótica diferente.

Enfim, sobre Heidegger, aceito sugestões de boas e completas biografias, pois este assunto ainda não acabou. Provarei a não-inocência de Heidegger e a desconstrução do texto de Boff. Ah, sim, por puro prazer à causa.

A cultura de paz começa quando se cultiva a memória e o exemplo de figuras que representam o cuidado e a vivência da dimensão de generosidade que nos habita, como Gandhi, Mons. Hélder Câmara, Luther King e outros. Importa que façamos revoluções moleculares(Gatarri), começando por nós mesmos. Cada um estabelece como projeto pessoal e coletivo a paz como método e como meta, paz que resulta dos valores da cooperação, do cuidado, da compaixão e da amorosidade, vividos cotidianamente.
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