Assunstos inoportunos

Escrever sobre assuntos que estão em pauta, só dá nisso.

Comentários ruins, sobre assuntos inoportunos. E não me refiro, apenas, ao que me malha sobre o egocentrismo. Afinal, nem negativo egocentrismo soa. Me refiro aos dois (o meu não conta e o terceiro fez-me rir) que percebem a questão de maneira tão óbvia, direta, previsível e sem graça.

Tá, eu sei! Quem sou eu pra dizer sobre a obviedade dos assuntos quando faço piadas previstas a todo momento? Bem, mas eu posso falar isso aqui, pois sou egocêntrica e esse é meu blog.

Levando ao modo prático das coisas: todos – e quando eu digo todos me refiro aqueles brasileiros que aparecem na TV falando sobre o assunto X, neste caso a lei 14.351 – enfim, todos falam sobre seus direitos em resposta à pergunta também previsível feita pelo repórter: O que você acha da lei anti-fumo?

Aí, chovem, acho certa ou acho errada, pois: tenho direito a respirar ar puro, tenho direito a fumar em lugares abertos, tenho direito aos meus hábitos sejam eles quais forem; tenho direito a escolher uma área de fumantes no meu estabelecimento, tenho direito a pedir que o fumante saia do meu estabelecimento.

Se puder estender um pouquinho, vou além na lista dos direitos que deveriam ser banidos: direito a segurar você e seu prato na fila do buffet, pois quer perguntar se a salada foi temperada com vinagre. Direito a atrasar você 15 min no caixa do supermercado conferindo preços, pois o travesseiro em promoção está mais caro que no folheto. Direito a reformar o apartamento às 8h, pois acordar os vizinhos com marteladas é muito mais divertido. Direito a interfonar reclamando do barulho às 22h, pois os vizinhos não podem atrapalhar o seu sono. E assim vai.

Por que não falar sobre deveres também, às vezes, só pra variar. Tenho medo de pensar quantas e quais barreiras sociais seriam quebradas com essa prática. Se trocassemos todos os direitos por deveres. Ou não é considerado dever a tolerância, por exemplo? Ainda que está seja um exemplo muito previsível considerando o assunto.

Enfim, não sei bem como terminar isto. Vai terminar assim mesmo.

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4 comments

  1. Cigarro mata

    “A segunda. As pessoas – nas hipotéticas mesas vizinhas – estariam loucas para fumar também, encarariam seu cigarro com inveja e preocupação, talvez, também, uma ponta de orgulho. “Veja, ela quebrou a lei anti-tabaco”.

    Não faz sentido que o cigarro seja proibido em casas noturnas. É pra isso que elas existem. Com 16, a unica maneira de fumar era sair de casa, mas na rua era muito arriscado trambar com alguém, poranto nos bares fechados aproveitava ao maximo para gastar alguns daqueles vinte marlboros.”

    É, mais assim você assume que o vício no cigarro é uma coisa boa, que constrói algo. E todos sabem que não. A lei é invasiva? Eu ainda considero mais invasivo ser defumado pela fumacinha.

    A lei é retrógrada? O que é mais atrasado, então? Ter tezão em engolir fumaça? Bancar as despesas de bilhões que o fumo traz, quando ainda vivemos num mundo onde morrem 30 mil pessoas de fome por dia?

  2. Filipe

    Hum… mas e você ser retida na fila do bifê por uma pergunta dessas agride qual direito seu? Ou a pessoa conferir preços causa doença? Mata? Aumenta filas do SUS?

    Acho que você tenta defender o hábito do cigarro comparando com coisas que não estão no mesmo nível, como os seus exemplos. Pra começar, não matam.

    Sabe quanto custa um raríssimo transplante de pulmão?

    1,5 milhão de dólares, e pelo que sei, no Brasil não se faz esse tipo de cirurgia. Aí eu penso: poxa, eu não fumo, não gosto de cigarro, perdi meu pai cedo demais por conta dessa tara de engolir fumaça e achar legal, e estou sujeito a intoxicação porque as pessoas acham descolado fumar, ou acham que é um direito inatingível?

    Acho que a lei é complexa. Mas não necessariamente ruim. Todo passo para extinguir vícios numa cultura doente como a nossa, quaisquer que sejam, são passos positivos. Sei lá.

  3. banjovilla

    Só acredito que, antes de se preocuparem com mortes evitáveis, deveriam resolver o problema dos nascimentos evitáveis.

  4. Em Portugal aconteceu o mesmo quando uma lei semelhante foi aplicada. No entanto as pessoas chegaram a um bom senso e, na maior parte do sítios fechados (centros comerciais, cafés, bares, etc.) há espaços para fumadores e para não fumadores.

    Mas triste, triste é ver que os não fumadores passam mais tempo na zona onde se pode fumar do que na zona onde é proibido. Apesar de se estarem sempre a queixar disto e daquilo.

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