Mudas.

O ofício de cuidar de uma mini-horta em casa foi idéia minha. O apartamente é pequeno, tem uma varanda, agora fechada por janelas que, nos dias de muito calor, serve também para estufa e, na maioria do tempo, é a lavanderia.

Eu cuido daqueles dois vasinhos como se fossem meus novos animais de estimação, converso, falo sobre o tempo e que é pra ter paciência, pois o sol vai estar de volta nessa quinta-feira. Afinal, foi no domingo que o milagre aconteceu, as folhinhas dos tomatinhos deram as caras fora da terra, foi lindo de ver.

No entanto, quinta-feira estava longe demais pra eles. Hoje de manhã, acordei, fiz o café na cafeteira italiana e, quando acendi a boca direita do fogão, vi que os vasinhos não estavam mais no beiral da varanda. Encontrei os dois vasos esparramados dentro do tanque. Obra do gato, é claro. A terra cobriu e sufocou todas as folhas dos tomatinhos e a cebolinha morreu na queda.

Foi inveitável, as lágrimas brotaram, do nada. Aliás, dos olhos. E, em segundos, o café ficou pronto. Jamais imaginaria que o acidente me faria doer tanto por dentro. E o amor que criei por plantas? Tive, perseverança, botei tudo de volta no vaso, quebrei uma casca de ovo em mínimos pedaços e adubei a terra. Passei o dia todo pensando que a quinta-feira estava tão próxima daquelas mudinhas.

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3 comments

  1. Ter gatos tem dessas coisas. A minha gata diverte-se a arrancar os cactos dos vasos.

  2. Pina

    Levando em consideração que o gato é o amor da tua vida, o nome desse post não devia ser “mudas”, mas sim “judas”

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